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SERRA DA MOEDA RECEBE PROTESTO CONTRA A DEGRADAÇÃO

SERRA DA MOEDA RECEBE PROTESTO CONTRA A DEGRADAÇÃO

Cerca de 200 pessoas pediram o fim da atividade mineradora


 

A bela paisagem da Serra da Moeda, a 65 quilômetros de Belo Horizonte, foi palco no domingo de um protesto contra a degradação desse patrimônio natural, arqueológico e histórico pelas atividades mineradoras. Para pedir a preservação da serra, a interdição definitiva da mineradora Gerdau Açominas e apoiar a ação do Ministério Público Estadual (MPE), que recomenda a suspensão dos licenciamentos para a exploração de minério de ferro na região, cerca de 200 pessoas fizeram uma caminhada pelas montanhas da Serra da Moeda. Ao longo do trecho de oito quilômetros, o grupo parou em diversos pontos, nos quais observaram as demarcações feitas pelas mineradoras para a realização de sondagens.

Outras dezenas de defensores da área manifestaram em frente à mina Várzea de Lopes, da Gerdau Açominas, que fica na BR-040, com faixas e cartazes. Um dos organizadores da caminhada e vice-presidente do Clube de Vôo Livre, Euler Darlan Neves, afirma que os efeitos da mineração já são percebidos desde a década de 1950, com a instalação da primeira mineradora. Porém, nos últimos três anos, os danos causados têm se intensificado. "Antes o minério de ferro não era tão lucrativo como agora. Com a valorização dele, principalmente no mercado internacional, a situação está insustentável. Atualmente temos quatro mineradoras na Serra da Moeda. Elas perderam o pudor e querem minerar toda e qualquer área", lamenta.

Euler Neves ressalta que a serra é um atrativo da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que recebe, nos finais de semana, aproximadamente três mil turistas por dia. "Aqui os turistas que visitam o Vale do Paraopeba apreciam a beleza natural e aproveitam para fazer ecoturismo e turismo de aventura. As mineradoras alegam que geram emprego, mas na verdade elas atrapalham essas atividades sustentáveis e o investimento na região. O ecoturismo pode gerar muito mais empregos com pousadas, restaurantes, hotéis e outras atividades", declara o organizador.

De acordo com ele, a decisão do MPE de recomendar à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e aos prefeitos da região (Moeda, Nova Lima, Brumadinho e Itabirito) a não aprovação de nenhuma licença que envolva a degradação da Serra da Moeda foi acertada. "Temos a expectativa de que o Tribunal de Justiça, ao julgar o mérito da liminar que proíbe a Gerdau Açominas de fazer qualquer intervenção no local sem licença e estudo de impacto ambiental, resguarde a região dos projetos dos mineradores", diz Euler Neves.

O engenheiro Jorge Adrian, de 41 anos, mora no pé da Serra da Moeda há dois anos. Ele participou da caminhada e frisa que a população fará pressão social para que a serra seja preservada. Conforme Jorge Adrian, "todos estão contra a destruição de um lugar tão maravilhoso".

O comerciante Ricardo Mello, de 55, mora nas proximidades da Serra da Moeda há 20 anos. Ele conta que, há 30 anos, fez seu primeiro vôo pela região. "Antes a poluição não era tão grande. Hoje, para se ter idéia, é preciso lavar a varanda da minha casa três vezes por semana. E, mesmo assim, ao final do dia, o lugar é puro pó. Sem falar nos prejuízos às nascentes. O córrego Ferreira, por exemplo, já foi reduzido consideravelmente."

Em nota, a Gerdau Açominas diz que respeita a manifestação de domingo e, sobre a liminar concedida pela 6ª Vara de Fazenda Pública Estadual que suspende temporariamente suas atividades na serra, garante que opera em absoluta conformidade com as autorizações ambientais concedidas pelos órgãos competentes. "Confiante na legalidade de suas ações e na decisão das autoridades competentes, a empresa tomará as medidas judiciais cabíveis para retomar a operação", afirma a assessoria da empresa.

 

 

Referência: Uai

 

 

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