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O SOLO SE ABRE EM LAPÃO

O SOLO SE ABRE EM LAPÃO

A acomodação rochosa se confirma onde há os maiores poços artesianos, e pode ser que ela seja provocada pela retirada de água das cavernas subterrâneas


 

17.10.08

 

Um fenômeno tem despertado a preocupação de moradores e geólogos de Lapão, cidade localizada na microrregião de Irecê, a 500 km de Salvador. Erguido sobre relevo calcário - de onde geralmente nascem grutas subterrâneas -, o município vem sendo tomado por rachaduras que chegam a um palmo de espessura em determinados locais. O "epicentro" teve origem há menos de um mês na Gruta do Lapão, espécie de marco zero em volta do qual cresceu a cidade.


A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e a Defesa Civil do Estado estiveram nesta quarta-feira, 15, no município, onde realizam estudos preliminares. "Meu primeiro diagnóstico é de que se faça um levantamento geofísico, porque existe a possibilidade de haver vários rios subterrâneos nessa região", afirmou o gerente de geologia da CBPM, Ernesto Alves. O estudo permitirá a fotografia do que está abaixo do nível do solo e diagnosticará se o fenômeno traz riscos aos habitantes locais.


A primeira hipótese é de que a própria erosão da água, ao longo de milhões de anos, tenha provocado uma re-acomodação rochosa. Por hora, a Defesa Civil descartou a necessidade de interdição das casas atingidas, literalmente rachadas ao meio, tanto no centro como em zonas periféricas. Além da gruta, onde quatro fraturas paralelas deram origem a um rachão que percorre uma rua inteira, seis casas no loteamento Ida Cardoso foram abandonadas pelos moradores, que deixaram Lapão temendo uma tragédia maior.


Residente no Ida Cardoso, o autônomo Antônio Roberto Soares, 31, diz que mais de dez residências apresentaram rachões no último mês só naquele bairro. "Achei quem pagasse na minha casa R$ 7 mil em março, agora só querem dar mil. Por mim a cidade vai toda abaixo, mas eu não saio".


FOLCLORE - Lendário pelo folclore de que a Gruta do Lapão um dia "engoliria" toda a cidade, o município virou atração de gente da região, e pauta principal nas rádios locais.

 

A agricultora Celita Pereira, 40, se mudou para uma casa de aluguel depois que uma fissura, da espessura de uma caneta esferográfica, dividiu a parede do quarto. "Na sexta-feira caíram três panelas do armário sem ninguém mexer e logo depois apareceu a rachadura". Ela atribui o fenômeno às obras de encanamento de esgoto realizadas pela prefeitura, nas quais foram usados explosivos.


"O que mais prejudicou foram as obras. Tinha dias em que a gente ouvia mais de 100 tiros para a instalação dos canos", acrescenta Gildásio de Souza Paiva. Na propriedade rural do agricultor, as fendas medem, em alguns pontos, um palmo de espessura e percorrem 200m da propriedade. Em determinados trechos, não é possível visualizar a profundidade das valas abertas no solo, onde a água de dois poços artesianos está abaixo do nível habitual para a época do ano.


A prefeitura aguarda um parecer técnico do Instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo (IPT) antes de um posicionamento oficial, mas especula outras motivações. "A acomodação rochosa se confirma onde há os maiores poços artesianos, e pode ser que ela seja provocada pela retirada de água das cavernas subterrâneas", supõe o gerente de Transportes Genildo Alves. Justamente na propriedade de Paiva, o executivo municipal mantém poço para irrigação e abastecimento de um pesque e pague.

 

Questionado sobre a extração, que jorra 100 mil litros de água por hora, o secretário de Infra-Estrutura Márcio Antônio Messias explicou que, como o município não tem rio, a irrigação tem de ser mantida através dos poços, até por uma questão social.

 

"Nossa maior preocupação é com a explosão da Galvani, há mais de seis meses", afirma o Secretário de Meio Ambiente Ednaldo Campos. A unidade da empresa em Irecê, que extrai fosfato do solo para a produção de fertilizante, falhou ao programar uma detonação em fevereiro, comprometendo a estrutura de residências e provocando desabamentos na cidade vizinha. Gerente de mineração da Galvani, Daniel Cardoso não associa o fenômeno ao incidente na mineradora, devido ao tempo entre uma coisa e outra. 

 

 

 

Referência: A Tarde On Line

 

 

 

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