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LUZ ARTIFICIAL AFETA NEGATIVAMENTE O MEIO AMBIENTE

LUZ ARTIFICIAL AFETA NEGATIVAMENTE O MEIO AMBIENTE

... quase 200 anos do início da difusão da iluminação elétrica, pesquisadores chamam a atenção para o impacto da luz artificial sobre o meio ambiente. ...



04.03.2010

 

 

A luz artificial é um grande benefício da vida moderna, tendo acelerado o processo de desenvolvimento. Mas, passados quase 200 anos do início da difusão da iluminação elétrica, pesquisadores chamam a atenção para o impacto da luz artificial sobre o meio ambiente.

Esclarecer a população sobre benefícios e riscos da iluminação artificial é um dos objetivos do livro Antes que os vaga-lumes desapareçam - ou A influência da iluminação artificial sobre o ambiente, de Alessandro Barghini, que será lançado no dia 27 de março.

 

 

Nesse dia será realizada a Hora do Planeta, evento que pede a participação de pessoas, comunidades, empresas e instituições de todo o mundo para que apaguem as luzes por um período de uma hora como forma de protesto contra o aquecimento global. No Brasil, o início será às 20h30 (hora de Brasília).

 

 

O livro chama a atenção para os efeitos negativos da iluminação artificial sobre plantas, insetos e também no metabolismo humano. Além disso, propõe medidas de controle da luminosidade para reduzir seus efeitos.

 

 

- A idéia foi fazer um amplo apanhado das pesquisas mundiais e mostrar que precisamos usar a luz de forma parcimoniosa, não só como economia de recursos, mas também porque a luz artificial não é tão inofensiva como se imagina. Ela afeta insetos, plantas e pessoas -, disse o autor, que é pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia e do Laboratório de Estudos Evolutivos do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP).

 

 

A obra parte de um estudo específico, que foi o de analisar a influência da iluminação sobre a vida silvestre tropical, com enfoque especial sobre os insetos.

 

 

- Os países tropicais são ricos em arbovírus transmitidos por insetos causadores de doenças como malária, mal de Chagas ou leishmaniose -, disse Barghini.

 

 

Para fornecer exemplos concretos das implicações da iluminação artificial, o pesquisador utilizou o bosque da USP na capital paulista de modo a testar a hipótese de que a atração da iluminação artificial por parte dos insetos seria fundamentalmente uma desorientação da navegação dos insetos.

 

 

- Parti da idéia de que os insetos são atraídos pela radiação ultravioleta, presente em algumas lâmpadas. Observamos que, ao tirar o componente ultravioleta com o uso de um filtro de baixo custo, consegue-se reduzir o número de insetos atraídos. No caso dos insetos, eles utilizam as luzes noturnas para orientar o vôo, mas as luminárias acabam prejudicando sua trajetória e atraindo-os para o ambiente antrópico, facilitando a transmissão -, explicou.

 

 

Barghini cita outros estudos, como os feitos com tartarugas marinhas, em que a luz impede a reprodução da espécie.

 

 

- Na Bahia, é proibido o uso de iluminação artificial na orla marítima onde elas desovam. Em São Paulo, por exemplo, vemos sabiás machos que cantam à noite no verão, antecipando o que ocorreria na primavera, tamanha a incidência de luz na cidade -, disse.

 

 

O título do livro é referência ao efeito da iluminação na reprodução dos vaga-lumes. O lampejo desses insetos é uma forma de atrair o parceiro para o acasalamento, mas a radiação por eles emitida é muito tênue. Para ser percebida pelo potencial parceiro é necessário que a iluminação ambiente seja inferior a 0,5 lux (medida da intensidade luminosa).

 

 

- Por uma economia de recursos, os vaga-lumes não emitem radiação quando o nível de iluminação ambiente é superior a 0,5 lux. Com a iluminação pública, acima desse valor, que se espalhou pelo país, os vaga-lumes acabaram reduzindo o número de acasalamentos e a população vem definhando -, apontou.

 

 

Outras pesquisas alertam para a necessidade de conservação dos vaga-lumes, por serem bioindicadores de impactos ambientais. Pesquisadores tentam entender também como a luz produzida por eles pode ajudar no diagnóstico e tratamento de doenças como o câncer e infecções bacterianas, a partir de enzimas responsáveis pela bioluminescência.

 

 

- A iluminação artificial intensa altera o comportamento dos insetos e do homem, podendo introduzir novos mecanismos de transmissão de doenças -, disse Barghini, destacando o caso do mal de Chagas.

 

 

Antigamente o mal de Chagas era uma típica doença das populações pobres, que viviam em casas de adobe e recobertas de palha, onde o barbeiro se escondia com facilidade e picava no escuro. Com a introdução da iluminação artificial se intensificou um novo mecanismo de transmissão, a contaminação oral.

 

 

- Os barbeiros, atraídos pela iluminação, chegam ao ambiente antrópico, pousando, por exemplo, em uma palmeira de açaí, onde parasitam o gambá. Os caboclos, ao colher açaí para fazer suco, trituram o fruto sem lavar, com as fezes do barbeiro, permitindo a transmissão oral.

 

 

Em 2005, em Navegantes (Santa Catarina) 12 pessoas foram contaminadas em uma venda de caldo de cana, onde o barbeiro tinha sido atraído por uma forte lâmpada -, contou.

O livro está dividido em dez capítulos, que falam da radiação natural do sol e de seu aproveitamento na biosfera e da evolução da iluminação artificial, com um espectro diferente da radiação natural.

 

 

Segundo o autor, o espectro da luz, diferente da radiação natural, resulta no envio para a biosfera de um sinal que é mal interpretado.

 

 

- A faixa de onda da luz azul, por exemplo, sensibiliza a melanopsina, proteína que gera sinais para o núcleo suprasquiasmático do cérebro, responsável por regular o metabolismo do corpo. Dessa forma, o organismo entende que é dia e aumenta o ritmo metabólico, podendo causar dificuldades para dormir -, disse.

 

 

Mas a iluminação artificial, além das vantagens óbvias, pode proporcionar benefícios até mesmo no tratamento de algumas doenças. O caso típico é o da desordem afetiva sazonal, uma manifestação de depressão que se manifesta durante o inverno (dias curtos) nos países de clima temperado.

 

 

Estudos também indicam que o uso intenso da iluminação consegue contornar, sem recorrer a drogas, o estado de depressão.

 

 

- A luz artificial vem sendo usada em alguns países em tratamentos com pacientes com mal de Alzheimer que apresentam distúrbios do sono e também em alguns casos de distúrbios psicológicos -, disse Barghini.

 

 

- No livro, proponho uma reflexão. As luzes artificiais podem ser benéficas desde que haja o cuidado de avaliar o modo de exposição -, reforçou o autor.

 

 

 

 

 

 

 

Referência: www.correiodobrasil.com.br

 

 

 

 


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