Informe seu e-mail para receber nossa Newsletter:

Newsletter:

Historico

Cidade: ÁGUAS DE SANTA BÁRBARA


 

Em 1866 a primavera ainda tinha jeito de primavera. As temperaturas amenas e as chuvas menos intensas que no verão deixavam o clima mais propício para uma viagem longa. As três carroças e os cinco burros estavam prontos, carregados com mantimentos, munições, armas e ferramentas para atender às necessidades dos 26 adultos e 12 crianças que estavam de partida.

 

 

A pequena cidade mineira de Carmo do Rio Claro foi ficando para trás. José Marques do Valle era o chefe da comitiva, composta pelo seu filho, Mizael Marques do Valle, os irmãos Salustiano Bernardino de Souza e Carlos Bernardino, suas esposas, filhos, escravos e serviçais.

 

 

Na mesma proporção do ânimo que impulsionava tais aventureiros em busca de novas terras, as dificuldades foram se apresentando uma a uma durante a caminhada. Depois de três meses de viagem, uma jararaca tirou a vida de Anastácia, uma escrava cozinheira. Já em território paulista, Josias, que lhes servia de guia, morreu ao cair numa pirambeira. Em seguida, quando o grupo passava próximo a Araraquara, Mizael contraiu uma forte febre. Com ervas do mato, a cura veio através das mãos de Ezequias, escravo da família.

 

 

Uma semana depois de a comitiva ter partido de Minas Gerais, dois filhos de um dos maiores exploradores do interior de São Paulo também rumaram em direção ao sertão paulista.
Ignácio Dias Batista, conhecido como Capitão Apiahy, era de origem portuguesa e sua família estava instalada ao sul do Estado mineiro. Escravocrata, possuía grandes extensões de terra e explorava ouro. Para se ter ideia do seu poder na época, em 1835 ele fundou a Fazenda Rio Claro que hoje é o centro de Botucatu, importante cidade paulista com quase 130 mil habitantes.

 


Em janeiro de 1867 a comitiva de Marques do Valle estava próxima a Botucatu quando se encontrou com os filhos do capitão, Pedro Dias Batista e Francisco Dias Batista, acompanhados por mais 16 pessoas. Depois de armarem o acampamento juntos, os dois grupos esperaram pelas informações de dois batedores. Eles asseguraram que às margens do Rio Pardo as terras eram boas. Um dia depois, todos seguiram viagem.
A nova caravana chegou finalmente ao município de Agudos. Nascia ali a Paróquia São Domingos do Tupã, que ficava próxima ao distrito de Domélia. O Distrito de São Domingos foi criado no dia 2 de abril de 1868.


Santa Bárbara

 

Entre armas, mantimentos e ferramentas, um artigo era precioso na bagagem da família Marques do Valle. Era uma escultura em madeira, em estilo barroco, de Santa Bárbara. A imagem foi comprada pela esposa de José Marques em Ouro Fino, Minas Gerais. Todos eram seus devotos e pediam-lhe proteção.

 

Dezoito dias depois da fundação oficial do Distrito de São Domingos, as famílias se reuniram em volta da imagem para rezar e cantar. A partir daí teve início o povoado de Santa Bárbara do Rio Pardo. Três meses depois a sede de São Domingos foi transferida para as margens do Rio Pardo. As terras foram doadas por diversos moradores do local, incluindo o Capitão Apiahy.

 

 

Em 1876 o distrito foi elevado a município, mas mantinha ainda o nome antigo.
Desde o início da colonização, as propriedades terapêuticas da água encontrada na cidade chamavam a atenção. O “poço quente”, onde hoje está o balneário municipal, já era procurado para a cura de diversas enfermidades. O reconhecimento veio em 1945, quando o interventor federal Fernando Costa assinou um decreto que atribuía ao município o título de Estância Hidromineral.

 

O nome Águas de Santa Bárbara só foi oficializado 33 anos depois, no dia 1 de junho de 1978 e reuniu em uma única expressão todas as principais características da cidade: a devoção à santa, a água que brota do seu solo – que chegou a ser considerada milagrosa – e os importantes rios que cortam seu território.

 

 

Referência: Prefeitura Municipal

 

 

 

 

Voltar

PUBLICIDADE