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Historico


Cidade: CAMPOS DOS GOYTACAZES


A região de Campos era, originalmente, habitada pelos índios Goitaca , que significa, em tupi-guarani, para alguns, "corredores da mata", para outros, "índios nadadores", definição que bem se enquadra a essa nação, habitante das lagoas.
Campos dos Goytacazes começou a ser desbravada pelo homem branco com a doação da Capitania de São Tomé a Pero de Góis da Silveira, que havia chegado ao Brasil com a expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, em 1530, e posteriormente a seu filho Gil de Góis.
No entanto, devido aos constantes ataques dos Goitacás, que haviam destruído a população da Vila da Rainha, fundada em 1538, e depois Vila de Santa Catarina das Mós, próxima ao Rio Itabapoana, Pero Góis da Silveira acabou abandonaram a povoação e retornando a Portugal, em 1570.

A efetiva colonização da região somente iria começar em 1627, quando o Governador-Geral, Martim Corrêa de Sá, doou algumas glebas da capitania a sete capitães: Miguel Maldonado, Miguel da Silva Riscado, Antônio Pinto Pereira, João de Castilhos, Gonçalo Corrêa da Sá, Manuel Corrêa e Duarte Corrêa, que construíram, em 1633, currais para gado, próximos à Lagoa Feia e à Ponta de São Tomé em reconhecimento pelo seu heroísmo nas lutas contra os índios e piratas na colonização das terras.

Dos sete capitães, apenas Miguel Riscado se estabeleceu nas terras recebidas. Os demais alugaram as áreas que lhes cabiam a colonos ou as doaram aos padres jesuítas e beneditinos.

O Governador do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa de Sá e Benevides, em 1648, conseguiu a doação das terras da Capitania de São Tomé, que, desde 1615, passara a chamar-se Capitania da Paraíba do Sul, para seus filhos Martim Corrêa de Sá e Benevides, Primeiro Visconde de Asseca, e João Corrêa de Sá. Em poucos anos, a povoação prosperou, sendo elevada à categoria de vila em 1677.
Os limites originais da capitania não foram respeitados e os impostos e taxas criados fizeram com que muitos colonos fossem expulsos.

Iniciou-se, assim, um longo período de violentos conflitos de terras que envolviam, de um lado, os Asseca e, de outro, os descendentes dos sete capitães e criadores de gado. Foram cem anos de domínio dos Asseca, até que, em 1748, explodiu um levante chefiado pela fazendeira Benta Pereira que, aos 72 anos, a cavalo e armada de pistolas, chefiou o combate, que acabou por derrotar os Asseca.
Não tardou, porém, a repressão ao levante, ordenada pelo Governador do Rio de Janeiro, que devolveu o poder aos derrotados.

Finalmente, em 1752, apesar dos protestos dos Asseca, a Capitania do Paraíba do Sul foi incorporada à Coroa Portuguesa.
Um ano depois, foi anexada à Capitania do Espírito Santo, somente voltando a pertencer à Província do Rio de Janeiro em 1832.
No ano seguinte, foi criada a Comarca de Campos e, em 28 de março de 1835, a Vila de São Salvador foi elevada à categoria de cidade com o nome de Campos dos Goitacases, e agora os canaviais se estendiam pela planície, entre o Rio Paraíba do Sul e a Lagoa Feia.

Em 1875, já havia 245 engenhos de açúcar, com 3.610 fazendeiros estabelecidos na região. A primeira usina, construída em 1879, chamou-se Usina Central do Limão e pertencia ao Dr. João José Nunes de Carvalho.

Com a riqueza trazida pela cana-de-açúcar, a cidade cresceu e se desenvolveu; as construções de sobrados e solares confortáveis se espalharam por todas as áreas próximas ao Rio Paraíba do Sul.
Uma poderosa aristocracia agrária surgiu da atividade açucareira e passou a influir na política e no poder do Império.

Por sua importância, Campos recebeu quatro vezes a visita de D. Pedro II: a primeira em 1883, quando o imperador inaugurou a luz elétrica da cidade, que passou a ser, assim, a primeira cidade da América do Sul a contar com este avanço tecnológico.
Os campistas participaram das campanhas abolicionistas, com José do Patrocínio e Luiz Carlos de Lacerda, e republicana, na qual se destacou Nilo Peçanha, que foi Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Vice-Presidente e Presidente da República.

A importância de Campos se verifica por sua contribuição à história, e sobretudo por sua grande importância econômica na produção de açúcar e, mais recentemente, de álcool combustível, e na extração de petróleo e gás natural em sua bacia litorânea.

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