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Historico

Cidade: CANTAGALO


Essa área chamada no início da colonização de "Sertões do Leste "era habitada até a chegada dos portugueses por índios Puri também conhecidos como Coroados.
A colonização começa a se processar concomitantemente com a febre do ouro que estava ocorrendo em vários locais de Minas Gerais.
Um aventureiro português de nome Manoel Henrique, conhecido como Mão de Luva , que chefiava um grupo de contrabando de ouro, saiu percorrendo a região e buscando ouro nos Rios Macuco, Negro e Grande, apesar da proibição da Coroa Portuguesa.

Mão de Luva já havia escapado da perseguição do governo, quando fugiu de Vila Rica trazendo para o Rio de Janeiro apetrechos de trabalho, mula cargueira, diamantes e gemas valiosas além de pepitas de ouro, por volta de 1764.
A exploração do ouro era controlada severamente pelos portugueses e altas taxas eram cobradas de todos os envolvidos na sua exploração. Nessa fuga o grupo que acompanhava Mão de Luva chegou à nascente das Lavrinhas, cujo acampamento foi o precursor da descoberta da terra de Cantagalo. Acampou no lugar onde existia a Usina Borell, local que ficou marcado algum tempo por chafariz construído como memória.

Chegou ao conhecimento da Corte o estabelecimento de um arraial - chamado Arraial das Lavrinhas - no local que é hoje o município de Cantagalo. O vice-rei D. Luís de Vasconcelos enviou então uma escolta para dar uma batida nas nascentes do Rio Macuco e zona do seu sertão e prender o bando e seu chefe. A lenda conta que quando a expedição procurava pelo contrabandista pelos sertões, ouviu um galo cantar e dessa forma soube que o acampamento deveria estar por perto, dando origem ao nome da cidade.
Há lendas atribuindo uma origem nobre a Manoel Henriques e uma razão amorosa para o uso da luva preta que lhe forneceu o nome, que dão um certo sabor heróico à vida do facínora.
Mão de Luva foi então preso e enviado para a África. Consta que morreu durante a viagem ao exílio e seu corpo foi lançado ao mar.

Muitos vieram procurar pelo ouro nos sertões de Macacu, mas a jazida logo se esgotou. Logo outro tipo de riqueza começou a ser explorada em Cantagalo. O café.
Já no começo do século XIX fazendas começavam a crescer com extensas plantações de café.
Um levantamento estatístico de Cantagalo feito em 1828 mostra grande quantidade de escravos e 28 engenhos de açúcar com um comércio bastante ativo. As pontes e caminhos eram feitas pelos fazendeiros.
Logo os cafezais substituíram a mata virgem. Em 1839 o Presidente da Província publica o total em arrobas da produção de café que havia sido duplicada em seus últimos 10 anos. Em 1845 começa a construção da Igreja Matriz erigida à custa dos fazendeiros e do povo de Cantagalo. Foi importante também a contribuição do Barão de Cantagalo para a construção dessa igreja.

Dos viajantes que passaram por Cantagalo, no relato do inglês John Garden que viajava em direção a Teresópolis até a Fazenda de George March, há uma descrição de Cantagalo "região de vastas selvas, vale cercado de ambos os lados por montanhas de apreciável elevação; uma rua comprida com suas casas bem construídas formando um conjunto agradável, pela elegância e pelo asseio" . É uma descrição que ainda vale para os dias atuais.

Interessante também é a visita do alemão Dr. Hermann Burmeister, que 10 anos depois, comenta sobre o hotel - atual Câmara Municipal - , cujo proprietário era um francês M. Friaux- que serviu na guarda do Imperador - Napoleão - em Austerlitz, e sobre a acolhida do casal francês, "uma bela refeição e paredes decoradas por pinturas que falavam da glória imperial, além dos momentos de conforto e segurança que encontrou no hotel, depois de viajar pelas estradas lamacentas.
Chama Cantagalo de "El Dorado do Café".

O Barão de Nova Friburgo, já então poderoso proprietário de diversas fazendas na região, idealiza em 1860, um plano para construir uma via-férrea que fizesse uma ligação entre suas fazendas e descongestionasse o tráfego das grandes safras cafeeiras.
O ramal férreo começa a ser feito em 1861 e em 1867 o Barão já tinha um "tramway" que ligava entre si as fazendas Gavião, Boa Sorte e Laranjeiras.
Logo tanto o governo como o Barão passaram a considerar a construção de um ramal para Cantagalo, que fosse uma continuação da estrada de ferro oficial do governo.

Por iniciativa do mesmo Barão e às suas expensas foi construída o ramal férreo entre Cantagalo e Nova Friburgo, terminado em dezembro de 1883. O trem até 1883 vinha de Niterói, passava por Cordeiro e ia ao ponto terminal em Macacu. Uma outra melhoria foi um telégrafo instalado entre Nova Friburgo e Cantagalo em 1874.

Vale à pena falar de Antônio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo, cuja história pessoal é interligada com a história de Cantagalo.
Português, nascido em 1796, veio com 12 anos para o Brasil, trabalhou inicialmente no Rio de Janeiro e foi atraído pelos rumores de abundância de ouro nos sertões de Macacu. Chegou a tomar parte na exploração do ouro em Cantagalo. Por volta de 1850 cessou a exploração do ouro em Santa Rita do Rio Negro, último local da exploração de ouro em Cantagalo.
A exploração era do barão dirigida por Jacob Van Erven, perto do córrego ainda hoje denominado de Lavras.
O barão acabou possuindo 21 fazendas de café que se estendiam desde o vale do Rio Negro às terras de Nova Friburgo. As primeiras mudas de café de Java, foram fornecidas por Jorge Gripp, que era de Nova Friburgo, ao Barão.
Foram plantadas inicialmente no jardim do Palacete Gavião com notável aproveitamento, já que foi dito que dessas mudas é que começou toda a plantação cafeeira.
Como todos os fazendeiros de sua época suas atividades e atitudes misturavam-se com as do governo. Pela sua imensa riqueza os fazendeiros construíam e organizavam as cidades nas quais possuíam suas fazendas e foram um fator de progresso no país no período cafeeiro. Razão pela qual lhes eram conferidos títulos nobiliárquicos.

Em princípio de 1891 irrompeu uma epidemia de febre amarela em Cantagalo que dizimou parte da população. Foram feitas obras de saneamento e melhoramentos na cidade em razão dessa epidemia.
A escravatura trouxe para Cantagalo cerca de 20.432 escravos. A cidade por esse grande número de escravos chegou a ter má fama no tratamento dos fazendeiros ao seu pessoal.
Muitos fazendeiros da região, no entanto, já haviam libertado seu escravos antes da abolição. O que não impediu o grande choque com a falta de mão de obra que ocorreu com a abolição. Muitas propriedades tiveram que fechar do dia para a noite, muitas plantações foram abandonadas e muitas fortunas foram perdidas.
Durante muitos anos, já nesse século, as famílias dos descendentes dos Barões foram perdendo suas terras, os bens e a importância que tinham adquirido por quase um século de plantação cafeeira. As fazendas mudaram de donos e passaram a se ocupar de outro tipo de agricultura ou passaram exclusivamente a se ocupar com a pecuária. Sua importância como cidade cafeeira diminuiu, mas manteve sua dignidade e seu encanto na sua sobrevivência através de todo esse século.

Muitos dos colonos suíços que inicialmente vieram para Nova Friburgo no começo do século XIX, se estabeleceram mais tarde em Cantagalo. Em 1889 imigrantes espanhóis também chegaram ao município.
A cidade encontrou mais tarde seu caminho econômico baseado nas ricas jazidas de calcário de suas montanhas e se tornou grande produtora de cimento. Produz também papel e tem expressiva atividade agropecuária.

O Turismo pode se transformar numa atividade importante uma vez que a cidade já possui hotéis de boa qualidade e um acervo de velhas fazendas de café que valem à pena ser visitadas. Seus atrativos naturais incluem a bela paisagem dos vales e grutas de grande beleza. No entanto, como bem descreveu o visitante Garden no século passado, seu povo gentil, sua limpa, agradável e atraente cidade são uma atração em si para o visitante.

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