Informe seu e-mail para receber nossa Newsletter:

Newsletter:

Historico

Cidade: VARRE SAI


O atual município de Varre-Sai foi em parte de sua história, distrito de Itaperuna. Em 1947 tornou-se distrito de Natividade quando esta cidade obteve sua autonomia.Em 12 de Janeiro de 1991 foi emancipado como município.

A história de seu povoamento, no entanto, começou no século XIX. O Noroeste fluminense fazia parte da capitania de Pero Góis da Silveira, doada por Dom João III em 1540. Como os índios da região os puri/goitacá eram considerados perigosos e habitavam todo o norte e noroeste fluminense, essa região demorou quase 300 anos para ser desbravada. A região do noroeste fluminense começou a ser ocupada por volta de 1830.

Tem-se o relato da chegada de José de Lannes Dantas Brandão, que partindo de Minas Gerais, desceu o rio Muriaé até chegar em Itaperuna onde tomou posse das terras encontradas. Denominou o local de Porto Alegre, continuou ele a se apossar das terras que hoje constituem os municípios de Natividade, Porciúncula e Varre-Sai. Em Varre-Sai o desbravador coletou poaia-do-campo e minerou pelos riachos à procura de ouro. A ipecacuanha é uma erva da família das rubiáceas.

Posteriormente com seus irmãos, foi doando e vendendo sesmarias nas terras ocupadas. Em Varre-Sai reservou para si a fazenda do Candonga. Entretanto fixou residência na fazenda São José, às margens do rio Carangola, no município de Natividade.

Os primeiros fazendeiros que adquiriram terras de José de Lannes na região foram, entre outros: Manoel Antônio de Siqueira, Diogo Guedes da Silva, Antônio José dos Santos Lisboa e Felicíssimo Faria Salgado.

Felicíssimo, que já era possuidor de outras terras nas redondezas, adquiriu em 1850 um terreno na área onde nasce o ribeirão Varre-Sai. A cidade de Varre-Sai foi construída, mais tarde, em uma área desse terreno.

Consta na tradição oral de Varre-Sai que a origem desse nome vem de um aviso que fora afixado num dos ranchos de descanso dos tropeiros; rusticamente escrito à carvão, dizia: Varre-e-Sai, ou seja, os tropeiros poderiam usar o alojamento gratuitamente mas, ao sair, deveriam deixar tudo limpo. O tempo cuidaria de fixar o curioso topônimo. O fazendeiro Felicíssimo Faria Salgado doou à igreja uma grande área de suas terras em agradecimento a uma graça recebida de São Sebastião, nesse local foi construída uma capela em intenção a S. Sebastião. A igreja que se encontra hoje no local foi construída por volta de 1913.

O Casarão colonial que fica ao lado da igreja foi construído para Felicíssimo mas consta que ele não pode utilizá-lo, pois estava doente e não podia subir o pequeno morro que levava à casa. Tanto a Igreja quanto o casarão ficam no alto de uma colina e os habitantes da casa deviam desfrutar da belíssima vista que se descortina da casa, que hoje é a área urbana de Varre-Sai. Todos os rios do Noroeste Fluminense são mineiros - o Muriaé, o Carangola, o Itabapoana e o Pomba. Por essas vias fluviais outros mineiros penetraram no Noroeste do estado. Vinham em busca de terras virgens para plantio do café. As plantações exigiam sempre mais e mais terras novas. Com o advento da abolição dos escravos os proprietários começaram a procurar outro tipo de braço para lavoura.

Entre os fazendeiros que receberam ou compraram terras de José de Lannes, estava Balbino Rodrigues França que fundou a fazenda de Palmital. O Coronel Balbino, como era conhecido, teve oito propriedades agrícolas, entre as quais a fazenda Bela Vista e decidiu trazer colonos de outros países para substituir o trabalho escravo. Os italianos acabaram sendo a escolha final desses fazendeiros brasileiros por ser um povo com tradição agrícola.

Ele foi então à capital do estado e firmou um acordo com as autoridades na época encarregadas da emigração. Solicitou a vinda de 80 famílias para a sua fazenda Bela Vista. O acordo previa que ele deveria fornecer aos colonos: casa, lenha, terras para cultivo de cereais e os meios para plantar café.

O primeiro grupo chegou no Brasil em 1897 no navio "Ativittá"; as viagens eram difíceis e sem conforto. Os italianos que vieram trabalhavam como meieiros. Ao fazer a colheita o colono tinha sua parte acordada e no beneficiamento se fazia a divisão do que cabia a cada parte. Os italianos vendiam então sua produção para as casas comissárias que negociavam o café no Rio de Janeiro. A produção era carregada em lombo de burro até o porto do Rio. Em alguns caso era levada até o rio Itabapoana para depois ser levada ao Rio de Janeiro.

As famílias italianas acabaram juntando fundos para se instalar em suas próprias fazendas e foram ocupando áreas mais ao norte do estado. O café continuou sendo plantado já que o clima frio era ideal para seu plantio. A estrada de ferro que havia chegado no final do século até Natividade por iniciativa de Cardoso Moreira, mais tarde foi incorporada à Leopoldina Railways.

Varre-Sai atravessou um século de vida sem grandes acontecimentos tendo recebido melhorias e serviços que a modernizaram quando ainda era distrito de Natividade.

Os descendentes das famílias italianas casaram-se entre si e Varre-Sai acabou sendo povoada pelos descendentes dos emigrantes italianos o que diferenciou bastante esta cidade de seus vizinhos, tanto na aparência de seus habitantes - são pessoas, na sua maioria, claras e com olhos azuis - como nos seus costumes.

Algumas famílias italianas preferiram ficar no centro urbano e se dedicar ao comércio. A maior parte ficou no campo. Os italianos trouxeram consigo o apego à sua fé religiosa que ficou assinalado pela construção de capelas, celebração de missas e procissões e que continua sendo muito marcante até os dias de hoje.

Sua alegria natural manifestava-se já na sua vinda no navio tocando harmônicas e violões. O Sr. Bendia - um filho de imigrantes - conta que quando chegaram a Natividade e esperavam para ser levados para a fazenda, um irmão de seu pai começou tocar sua harmônica e todo mundo parou para ver.

Estavam acostumados a fazer e tomar vinho em sua terra e a uva ainda era desconhecida na região de Varre-Sai. Havia apenas um fazendeiro português que trouxera de Portugal apenas duas mudas de uva, uma de uvas pretas e outra de uvas brancas.

Sentindo saudade do vinho, Dona Santa Constantini experimentando o fruto da jabuticabeira, decidiu fazer vinho com essas frutas. Experimentaram em 3 safras de jabuticabas durante 3 anos, purificando o açúcar e avaliando os resultados e finalmente conseguiram fazer o vinho de jabuticaba.

Não só foi um sucesso, como mais tarde também fizeram o vinho da uva. Ambas produções continuam sendo artesanais e são feitas até hoje em Varre-Sai. É uma experiência interessante passar numa pequena estrada no Noroeste Fluminense, por entre plantações de café e ao fazer um cumprimento ao pessoal da terra ver um braço levantado, um sorriso e - a grande surpresa - um rosto corado e olhos azuis respondendo.

É como se a paisagem da Toscana fosse transportada para esse cantinho do estado do Rio de Janeiro.

Voltar

PUBLICIDADE